Há um segredo,
Ó linda criança,
Que até tenho medo
De, quebrando a confiança,
Repassar pra você, assim tão cedo...
Por isso talvez o melhor seja,
Ó jovem princesa,
Aguardar hora tardia mais benfazeja
Pra confessar essa surpresa
Cercada de afeto e gentileza...
Ainda mais titubeio,
Ó soberba matrona,
Porque o tempo veio
E com ele, de carona,
A persistência do receio
De trazer tudo isso à tona...
Mas antes que seja muito tarde,
Enquanto esse braseiro ainda me arde,
Na tentadora vontade
De contar o que testemunhei...
Eis que rompo minha timidez
E decido, de uma vez,
Falar a você, Isabela,
Independente de sua idade e sensatez,
Que seu pai, apaixonado,
No estúdio do Senado,
Mirava sua foto (tão bela!)
Enquanto trabalhava, cioso,
Para se inspirar e, talvez,
Para que você o visse
Em pleno ofício...
Eu, calada, em minha “mimesmice”,
Achava tudo isso
Tão maravilhoso,
Que prometi um dia – ai que difícil! –
Confessar essa paixão paterna,
Que de forma tão terna,
Fazia de sua imagem,
Fonte de inspiração!
Por isso perdoe minha intromissão.
Mas é que a vida é uma viagem
E a gente nunca sabe quando largar a bagagem
Pra saltar na estação!
Poema que a colega Marluci escreveu, inspirada em me ver babando a foto de Isabela na tela do computador do estúdio da Rádio Senado.
Obrigado pelo carinho, Marluci.
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