sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Conto de Natal

Lá em casa, o natal esse ano já está diferente. Com uma criança a caminho, o natal se completa, faz todo sentido, como fazia quando éramos crianças...
Isabela já muda nossos gestos, nos mostrando como devem ser os próximos e próximos e próximos natais.

Pra finalizar, um conto de natal, escrito por esse pai babão há vários natais:


Milagre de Natal
Por Natanael Alves Ferreira

Todo natal era daquele jeito. Vinham os filhos, netos, um ou outro amigo da família, e ela se via envolvida em mil e um preparativos. Naquele ano estava meio desmotivada com tudo aquilo, estava cansada.

Gostava de ver a família reunida, mas parecia que pra ela o tal espírito do natal se resumia à correria para deixar tudo pronto na hora, o esforço para fazer tudo com o objetivo de agradar a todos que viessem.

Mesmo com todo amor e carinho que despendia naquilo que fazia, o natal – pensava – devia ser mais que esforço antes e cansaço depois da ceia. Sentia falta da magia do natal. Na verdade, já não acreditava que o natal ainda pudesse ter algo de especial.

Faltando poucos detalhes para terminar os preparativos da ceia, soa a campainha. Como estava sozinha em casa vai correndo ver quem era, e torcendo para que fosse algo rápido, não queria deixar a receita que estava no forno passar do ponto.

À porta estava um homem de meia idade, a roupa bem gasta denunciava um mendigo:

- Dona, a senhora não teria aí alguma coisa pra eu comer? Até agora estou sem almoço, na verdade hoje ainda não comi nada.

Ela, incomodada por ter sido interrompida, com a cabeça na receita que estava no forno, e preocupada com o tempo - queria terminar tudo antes que marido, filhos e netos começassem a chegar - responde de pronto já indicando que queria entrar:

- Você veio em uma hora péssima, não tenho nada pra te dar.

E já foi entrando, enquanto o homem, resignado, diz que tudo bem e volta pra rua.

Ela volta correndo para a cozinha, não queria perder mais tempo, e, logo que entra, desperta para a cena que acabara de acontecer. Em cima da mesa vê saladas, assados, rabanadas... Ainda não era uma ceia de natal pronta, mas era mais que suficiente para em menos de três minutos preparar um belo prato que, talvez, seria a única refeição daquele homem naquela véspera de natal.

Envergonhada por sua atitude, ela, mais que depressa, volta à porta para dizer ao homem que vai lhe preparar algo. Mas não o vê mais. Ele não estava na casa ao lado e nem em qualquer outro lugar daquela rua.

Aquele foi um natal diferente. Algo renasceu dentro dela. Passou a não ter dúvidas da existência dos anjos. Entendeu também que, no natal, milagres acontecem sim, mas que não são diferentes daqueles que acontecem nos dias mais comuns, principalmente quando tornamos reais as palavras do dono do natal: "aquilo que fizeres a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste".

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É isso!
Bom natal, feliz 2011 e abraços paternais!

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